Feira do Livro de Lisboa arranca com temperaturas e expectativas altas
A 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa abriu hoje, no Parque Eduardo VII, com 350 pavilhões em representação de 900 marcas editoriais, e uma programação para 19 dias que conta com mais de 2.200 eventos.

O Presidente da República esteve, esta quarta-feira, na inauguração da Feira do Livro de Lisboa, onde recordou o adiamento do evento nos tempos da pandemia e disse que a feira "é muito mais e deve ser muito mais do que uma mostra da vitalidade da indústria editorial".
"No ciclo dos grandes acontecimentos anuais, a Feira do Livro de Lisboa está prestes a completar um século de existência. Salvo raras exceções, não houve final de primavera que não contasse com livros espalhados e festejados pela cidade — faz parte do calendário. Do nosso calendário de leitores, e do vosso calendário de editores e de autores", afirmou António José Seguro na cerimónia oficial de abertura da 96.ª Feira do Livro de Lisboa.
O chefe de Estado recordou que embora, regra geral, o evento aconteça entre maio e junho, ele já aconteceu em abril e maio, apenas em maio, em junho, e, "por motivos pouco felizes (porque era a pandemia), entre agosto e setembro".
A Feira do Livro de Lisboa abriu sob elevadas temperaturas e expectativas, com os muitos visitantes das primeiras horas a procurar sombras e refrescar-se, havendo relatos de mal-estar, incluindo de uma pessoa que necessitou de assistência médica.

Às 12h00, os 350 pavilhões - número limite que a Feira do Livro pode suportar e mantém desde 2024 - estavam a postos para receber os primeiros visitantes, que logo na primeira hora de feira já percorriam a alameda do Parque Eduardo VII, sob um sol inclemente, que não estava totalmente nos seus planos.
Isso mesmo iam comentando, umas com as outras e com os vendedores, as pessoas que acorriam aos pavilhões para espreitar as novidades e as promoções, mas também para se protegerem, ainda que momentaneamente, da torreira do sol.
As esplanadas à sombra iam-se enchendo de gente, por todo o lado se viam pessoas com chapéus e óculos escuros, de gelado, copo ou garrafa de água na mão.
Uma imagem que se destacava, olhando para o plano da alameda, era a profusão de leques coloridos que se agitavam no ar, por quem a percorria, na tentativa desesperada de criar um corrente de ar fresca.
Um desses casos foi o de Carolina, uma jovem que pouco depois da abertura da feira já se passeava com dois livros na mão, mas toda ataviada para enfrentar o calor, como fez questão de destacar.
"Eu trabalho aqui perto, então aproveitei a hora de almoço para vir cá e estive atenta aos livros do dia e tudo mais. Vi um livro que a minha mãe gostava, então vim logo para aproveitar enquanto está pouca gente, porque acho que durante a parte da manhã, no primeiro dia, é a altura mais tranquila, apesar do calor. Água fresca, leque, óculos de sol, boné, pronto", afirmou.
Visitante habitual da Feira do Livro, revelou que este ano optou por ir logo na abertura, destacando a experiência mais tranquila, com menos afluência e maior facilidade de circulação.
Contudo, Carolina tem planos para voltar noutros dias, nomeadamente com as amigas, e embora faça algumas compras orientadas por listas, sobretudo para oferecer, as escolhas para si são quase sempre "ao sabor do vento", aproveitando "o que estiver em desconto".
João, outro dos primeiros visitantes da feira, encontrava-se já à espera para pagar alguns livros na fila para as caixas de pagamento do Grupo Penguin Random House, que este ano manteve os mesmos 26 pavilhões do ano passado.
Este foi mais um caso de alguém que trabalha nas imediações e aproveitou a hora de almoço para visitar a feira, uma prática que diz repetir todos os anos, sobretudo para comprar títulos a preços mais acessíveis, como afirmou, adiantando que planeia regressar noutras pausas de almoço para continuar as compras.
A fila que se formou, incomum para aquela hora do dia, deveu-se a um "problema técnico", que "mandou o sistema abaixo" e que estava a ser resolvido, explicou um funcionário da Penguin, enquanto distribuía leques pelas pessoas que se encontravam à espera para pagar.
"Esta semana está a ser particularmente difícil com o calor, mas estamos aqui à sombra e estamos aqui com os leques que nos foram oferecidos pela Penguin e, portanto, estamos minimamente confortáveis", acrescentou João.
Ao seu lado, na fila, Adília concorda, sublinhando que "está um dia muito quente", mas que ainda assim resolveu arriscar-se pela feira, uma vez que estava a passar ali por perto.
"Não trago uma lista, mas há sempre aqueles livros que vou encontrando, que são do meu agrado e vou aproveitando sempre as promoções", explicou, afirmando que todos os anos visita a feira do livro, com exceção de um ou dois anos que não pôde mesmo.
Uma senhora que não aguentava mais esperar na fila em pé para pagar, foi ajudada pelos colaboradores da Penguin, que trataram de arranjar uma cadeira e de a sentar à sombra enquanto esperava.
Pior sorte teve um rapaz que se encontrava um pouco mais acima, nos 'stands' da editora Devir, e que esteve à beira do desmaio, com o que aparentava ser uma quebra de tensão.
Pálido e quase sem reação, o jovem foi sentado numa cadeira, e refrescado com água e uma ventoinha, até à chegada dos enfermeiros do posto médico localizado na feira, que entretanto foram chamados.
Clara Capitão, diretora editorial do grupo Penguin, destacou para a edição deste ano a expectativa de crescimento contínuo da Feira do Livro, sublinhando o entusiasmo crescente dos leitores que se verifica desde a pandemia.
A responsável salientou ainda a estreia da chancela Penguin, que reúne autores nacionais e internacionais, e uma programação com mais de uma centena de autores, incluindo iniciativas dedicadas ao romance policial.
Com curadoria de João Tordo e intitulada "sexta-feira negra", esta iniciativa consiste em "conversas entre autores de policial, sobretudo nacionais", mas também internacionais como Michael Hjorth e Camilla Grebe, uma autora sueca que vive em Portugal.
"Este ano é um momento especial porque finalmente temos uma chancela com o nome do grupo, que é a Penguin, algo que não acontecia até agora, onde reunimos ficção e não ficção, autores nacionais e internacionais, portanto, finalmente os leitores vão poder reconhecer um 'logo' que reconheciam tão bem, o do Pinguim, que é o logo editorial mais icónico do mundo, e vê-los em muitos dos nossos livros - já lançámos mais de 50 novidades, portanto já há muitos livros à espera dos leitores que queiram conhecer a nova chancela", considerou.
Pelo grupo Porto Editora, que dispõe de 30 pavilhões, a assessora da administração, Marta Teixeira, destacou uma homenagem a Valter Hugo Mãe, como um marco especial, sublinhando a importância do autor na literatura portuguesa e a criação de um espaço dedicado à sua obra.
O escritor estará presente no último fim de semana da feira para encontros com leitores e sessões de autógrafos, coincidindo com o lançamento de um novo livro.
Quanto à edição deste ano, a responsável manifestou "expectativas otimistas", à semelhança dos anos anteriores, apontando para a forte afluência e o crescimento do interesse pelos livros, revelados pelos "dados de leitura que estão a ser disponibilizados nestas últimas semanas" e até pelo barómetro, também, "que mostram que os portugueses, efetivamente, estão a ler mais".