Investigação: Tratamentos de fertilidade não comprometem a amamentação

11-08-2026

Estudo acompanhou mulheres que engravidaram através de fertilização in vitro com microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), uma das técnicas mais utilizadas em medicina reprodutiva. A descoberta é uma boa notícia sobretudo para as mulheres acima dos 40 anos, que recorrem mais frequentemente à doação de óvulos.

Mais de 80% das mulheres que engravidam através de técnicas de reprodução assistida manifestam interesse em amamentar os seus bebés e conseguem fazê-lo durante longos períodos, independentemente de terem engravidado com ajuda médica. É o que revela um estudo realizado em Espanha e que ajuda a dissipar um receio frequente entre mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade: a ideia de que a reprodução assistida pode dificultar a amamentação.

Os dados mostram precisamente o contrário. O recurso a técnicas como a fertilização in vitro ou a ovodoação não condiciona negativamente o início nem a duração da amamentação. Entre as mulheres analisadas, a duração média da lactação foi de quase 20 meses, sem diferenças significativas entre quem utilizou óvulos próprios e quem recorreu à doação.

O estudo acompanhou mulheres que engravidaram através de fertilização in vitro com microinjeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), uma das técnicas mais utilizadas em medicina reprodutiva. A maioria manifestou, ainda durante a gravidez, a intenção de amamentar de forma exclusiva: 86% entre as mulheres que utilizaram os seus próprios óvulos e 81% entre as recetoras de ovodoação.

De acordo com a Dra. Marga Esbert, coordenadora de Investigação do Laboratório FIV do IVI Barcelona, os resultados trouxeram uma mensagem tranquilizadora para as mulheres, uma vez que os tratamentos de fertilidade não implicam, por si só, qualquer tipo de limitação.

Mas querer amamentar não significa que o processo seja simples. Apesar da elevada motivação, apenas cerca de seis em cada dez mulheres conseguiram manter uma amamentação materna exclusiva logo após o parto. E, entre as que o fizeram, quase 70% enfrentaram complicações nas primeiras semanas.

As dificuldades mais frequentes foram dor, fissuras mamilares e mastite, ou seja, problemas comuns, mas que podem tornar o início da amamentação particularmente exigente, sobretudo depois de uma gravidez muitas vezes vivida com elevada carga emocional. Ainda assim, o estudo mostra que a maioria destas mães manteve a amamentação apesar das dificuldades iniciais.

Para os investigadores, um dos principais problemas continua a ser a falta de informação e acompanhamento especializado. Sete em cada dez mulheres consideraram insuficiente a informação recebida durante a gravidez sobre amamentação e cerca de metade precisou de apoio de profissionais de saúde após o parto.

"A atenção médica tende a concentrar-se na gravidez e no parto, mas a amamentação acaba muitas vezes por ficar num vazio de acompanhamento", refere a Dra. Vânia Ribeiro, ginecologista e especialista em medicina da reprodução no IVI Lisboa. "É importante preparar melhor estas mulheres durante a gravidez, para que não enfrentem este tipo de dificuldades no pós-parto, uma fase particularmente vulnerável do ponto de vista físico e emocional."

Os investigadores defendem que um maior apoio pré-natal e pós-parto poderá ajudar mais mulheres a viver a amamentação de forma positiva e mais próxima da experiência que desejavam ter quando iniciaram o percurso da maternidade.

Sobre o IVI – RMANJ​

O IVI nasceu em Espanha, no ano de 1990, como a primeira instituição médica especializada integralmente em Reprodução Assistida. Desde então, já ajudou mais de 250.000 crianças a nascer, graças à aplicação das mais recentes tecnologias. No início de 2017, o IVI fundiu-se com a RMA, tornando-se o maior grupo de reprodução assistida do mundo. Atualmente, possui mais de 80 clínicas e 7 centros de investigação e é líder em medicina reprodutiva. www.ivi.pt - www.rmanetwork.com.

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