Retomados os trabalhos de reposição de areias nas praias da Caparica

16-04-2026

Os trabalhos de reposição das areias nas praias da Costa da Caparica e São João da Caparica, no concelho de Almada, vão ser hoje retomados, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Segundo informação do organismo público, o processo será retomado tendo em conta a "previsão de condições de agitação marítimas favoráveis".

A empreitada estava suspensa desde novembro do ano passado, "por ausência de condições meteorológicas que possibilitassem garantir a segurança dos trabalhos e os objetivos propostos".

Consignada pela APA a 25 de setembro de 2025, a obra é da responsabilidade do agrupamento das duas entidades adjudicantes (a APA e a Administração do Porto de Lisboa) e envolve um investimento total de 8,9 milhões de euros, sendo financiada por fundos europeus, através do Programa Temático para a Ação Climática e Sustentabilidade (PACS), e pelo investimento da Administração do Porto de Lisboa. S.A..

Os trabalhos, com o prazo de execução de 60 dias, contemplam a alimentação da praia emersa, com um volume total de 1.000.000 metros cúbicos, acrescenta a agência na informação divulgada.

A zona de empréstimo dos sedimentos localiza-se na entrada do estuário do Tejo, mais precisamente no Canal da Barra Sul.

Também na costa do concelho de Almada, no distrito de Setúbal, termina hoje a interdição de circulação automóvel e pedonal na via principal de acesso às praias da Costa da Caparica, entre a praia do Rei e a praia da Bela Vista, que esteve em vigor nos últimos dois meses devido à conclusão da primeira fase da empreitada de melhoramento dos acessos às praias, com trabalhos de pavimentação.

Os danos causados pelo mau tempo entre outubro e fevereiro no litoral de Portugal continental obrigam a um investimento de 111 milhões de euros, dos quais 15 milhões para aplicar antes do verão, segundo um relatório divulgado a 11 de março pela APA, que alertava para uma recuperação "lenta e gradual" das praias.

O investimento pretende responder aos "impactos significativos na faixa costeira de Portugal continental" decorrentes dos efeitos das tempestades de janeiro e fevereiro - Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta -, entre danos em infraestruturas, estruturas de proteção costeira, recuo da linha de costa e alterações na morfologia das praias.

"A quase totalidade das praias do continente registaram uma importante redução do seu conteúdo sedimentar no domínio emerso", pode ler-se no relatório, que destaca 571 danos ao todo, em 749 ocorrências reportadas.

Em 45 municípios de norte a sul do país, registaram-se ocorrências e a APA considerou que nas "mais críticas" foram sinalizadas "alterações morfológicas relevantes e danos estruturais".

Nesta definição cabem "erosão das praias e recuo da linha de costa, fenómenos de galgamento e inundação costeira, instabilidade e movimentos de massa em arribas, danos em infraestruturas de proteção e defesa costeira, danos em infraestruturas de fruição pública", de paredões a passeios, estacionamentos e acessos às praias, e danos em equipamentos, apoios de praia e apoios balneares.

Ao todo, são 86 obras urgentes no continente português, marcadas para estarem concluídas até final do ano, e 40 obras de curto e médio prazo, com horizonte a dois anos, a que se somam 18 que já estavam em curso, referiu em março a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

"Já temos 18 operações contratadas ou em curso, de um valor a rondar os 63 milhões de euros, na Costa da Caparica, Espinho ou Algarve, e até maio investiremos 15 milhões, a trabalhar com os municípios para melhorar acessos, estabilizar arribas, recuperar passadiços, limpar praias", destacou o presidente da APA, José Pimenta Machado.

As obras mais urgentes, de 27 milhões de euros, levarão a uma injeção de verbas na APA por parte do Governo, aproveitando o Fundo Ambiental, "mais rápido", e o restante terá "cabimento no âmbito do Sustentável2030", mais demorado em termos administrativos.

Foto: CMA

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