Volvo recorre à inteligência artificial para treinar automóveis com acidentes que nunca aconteceram

26-10-2026

A Volvo Cars está a utilizar inteligência artificial e mundos virtuais para criar milhares de cenários de condução que nunca aconteceram, acelerando o desenvolvimento da próxima geração de tecnologias de segurança.

Durante mais de cinco décadas, a Volvo Cars desenvolveu os seus sistemas de segurança a partir da análise de acidentes reais. Hoje, essa abordagem entra numa nova dimensão: a marca está a recorrer à inteligência artificial e a mundos virtuais altamente realistas para antecipar situações de risco antes mesmo de acontecerem nas estradas.

Através de uma tecnologia conhecida como Gaussian Splatting, a Volvo consegue recriar digitalmente cenários reais de circulação com um nível de detalhe sem precedentes e gerar milhares de novas variações da mesma situação. Um peão que surge inesperadamente, um veículo que muda de faixa, uma bicicleta que aparece num cruzamento ou um obstáculo na estrada podem ser combinados de inúmeras formas para testar a reação dos sistemas de segurança da marca.

O objetivo é simples: preparar os automóveis para responderem a situações que são extremamente raras no mundo real, mas que podem ter consequências graves quando acontecem.

Segundo Alwin Bakkenes, Head of Global Software Engineering da Volvo Cars, "já utilizamos milhões de pontos de dados de situações que nunca chegaram a acontecer. Com esta tecnologia conseguimos partir de um cenário raro e criar milhares de novas variações para treinar e validar os nossos modelos. Isto permite desenvolver sistemas de segurança mais robustos e antecipar situações que, de outra forma, demorariam anos a surgir nas estradas."

Até agora, validar este tipo de cenários dependia sobretudo da recolha de dados em estrada e de testes físicos. Com recurso à inteligência artificial, esse processo pode ser realizado em poucos dias, permitindo acelerar significativamente o desenvolvimento dos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) e de outras tecnologias de segurança ativa.

Esta abordagem representa a evolução natural da filosofia que acompanha a Volvo há mais de 55 anos.

Desde a criação do Volvo Accident Research Team, no início da década de 1970, a marca tem utilizado acidentes reais para compreender como proteger melhor as pessoas. Ao longo destas décadas, milhares de ocorrências analisadas pelos investigadores da Volvo deram origem a algumas das mais importantes inovações de segurança da indústria automóvel.

Hoje, a inteligência artificial permite dar um novo passo: complementar a aprendizagem obtida no mundo real com milhões de cenários virtuais gerados digitalmente.

Os automóveis mais recentes da Volvo, equipados com uma nova geração de sensores e elevada capacidade computacional, recolhem informação que ajuda a compreender melhor aquilo que acontece antes, durante e depois de um incidente. Esses dados são depois utilizados para criar modelos virtuais altamente realistas que permitem testar novas soluções em ambientes totalmente digitais.

O desenvolvimento desta tecnologia resulta da colaboração entre a Volvo Cars, a Zenseact, empresa de software e inteligência artificial fundada pela Volvo, e a NVIDIA, cuja plataforma de computação de elevado desempenho suporta o treino dos modelos de inteligência artificial da marca. O projeto integra ainda um programa de investigação desenvolvido em parceria com universidades suecas e apoiado pelo Wallenberg AI, Autonomous Systems and Software Program (WASP).

Para a Volvo, esta nova abordagem não substitui os testes em estrada nem a investigação de acidentes reais. Pelo contrário, complementa-os, permitindo desenvolver software de segurança de forma mais rápida, mais

eficiente e com uma abrangência impossível de alcançar apenas através da condução em condições reais.

Num futuro cada vez mais definido por software, a segurança deixará de depender apenas daquilo que acontece na estrada. Dependerá também da capacidade dos automóveis aprenderem com milhões de situações, incluindo aquelas que nunca chegaram verdadeiramente a acontecer.

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