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Opinião

António Brito Avô 

Médico Pediatra na Clínica Pediátrica António Brito Avô

Meningite: faixas etárias mais jovens estão mais vulneráveis

De rápida evolução e potencialmente fatal, a Meningite Meningocócica pode atingir todas as faixas etárias e ter consequências gravíssimas. Em cada 10 casos, pelo menos uma pessoa acaba por morrer. Na sua forma mais grave, e mesmo depois de ministrados os cuidados de saúde necessários, pode causar a morte em apenas 2 dias.

Até na sobrevivência, as consequências podem ser drásticas: 10 a 20% dos doentes fica com sequelas permanentes. Entre as mais frequentes encontram-se a surdez, o défice cognitivo ou alterações neurológicas e até a amputação dos membros.

Os primeiros sintomas da Meningite dificultam o diagnóstico precoce, uma vez que, na sua fase inicial, podem ser confundidos com os de outras infeções, como a gripe: dor de cabeça, perda de apetite, febre, náuseas, dor ao engolir e corrimento nasal. Segue-se um rápido agravamento do quadro e sinais de alarme que constituem uma emergência médica: febre alta, sensibilidade à luz e ao som metálico, o estado confusional, a prostração, a dor de cabeça e os vómitos intensos, acompanhados de rigidez da nuca e aparecimento de manchas hemorrágicas na pele. É fundamental sublinhar que, perante uma Meningite, nem todas as pessoas apresentam a totalidade destes sintomas. Em alguns casos, determinados sintomas podem nunca se manifestar ou chegar numa fase tardia e, infelizmente, irreversível, da doença.

Mais do que tratar a Meningite, devemos evitá-la e é por isso imperativo que se aposte na prevenção. A vacinação antimenigocócica é a forma mais eficaz de o fazermos. A vacinação gratuita de todas as crianças contra o Meningococo do grupo C já está contemplada no Programa Nacional de Vacinação, e a imunização contra os outros serogrupos (B,Y,W), que hoje são mais frequentes, também está recomendada pela Sociedade de Infeciologia Pediátrica, não só para os bebés e para as crianças pequenas, mas também para o grupo dos adolescentes e jovens adultos.

Apostar na prevenção é fundamental, sobretudo nas faixas etárias em que a Meningite é mais frequente, mas também naquelas em que a bactéria coloniza mais a orofaringe. O Meningococo, bactéria que causa Meningite Meningocócica, vive no corpo humano e coloniza com maior frequência os adolescentes e os jovens adultos, razão pela qual esta faixa etária volta a estar em maior risco. Os comportamentos adotados nessas idades, como a partilha de comida e bebida, o beijo íntimo, a frequência de locais sobrelotados, ou mesmo os hábitos de tabagismo, são apenas alguns exemplos de práticas que facilitam a circulação e a transmissão desta bactéria, quer entre este grupo, quer para todos os outros grupos, em particular para os mais vulneráveis, como as crianças jovens e os idosos.

Adolescentes serão sempre adolescentes e não têm de deixar de o ser. Se não vamos alterar comportamentos, optemos, então, pela prevenção e olhemos para a vacinação como uma preocupação que devemos ter em todas as fases da vida. Para esta, e para todas as outras doenças graves que, felizmente, já podemos prevenir.orro quisquam est qui dolorem ipsum quia dolor sit amet."

Isabel Saraiva

Médica, fundadora do Movimento Doentes pela Vacinação - MOVA

Semana Europeia da Vacinação: Tem as vacinas em dia? 

Para assinalar a Semana Europeia da Vacinação, o Movimento Doentes Pela Vacinação (MOVA) realizou um inquérito para avaliar as perceções da comunidade sobre vacinação e a sua importância, ao longo da vida. Os resultados foram surpreendentes: 94,3% dos inquiridos afirmou que tinha as suas vacinas em dia e 89,1% acrescentou que eram fundamentais na prevenção de doenças graves. No entanto, entre os inquiridos pertencentes ao grupo com risco acrescido de contrair Pneumonia, apenas 44,62% tinha sido aconselhado a vacinar-se contra a doença. Isto apesar de 87,4% das pessoas afirmar saber para que doenças deve estar vacinado na sua idade mas, nas idas ao médico, apenas 48% falar sobre vacinação.

«A vacinação deve ser uma preocupação de todos, e deve estar presente em todas as fases das nossas vidas», explica Isabel Saraiva, fundadora do MOVA, vice-presidente da Respira e presidente da Fundação Europeia do Pulmão. «Começamos, como comunidade, a ter uma boa consciência da importância da vacinação, não só nos mais novos, mas em todas as faixas etárias. Continua a haver, no entanto, algum desconhecimento entre quem devia estar mais informado, no caso, os grupos em maior risco».

Entre os inquiridos mais vulneráveis à Pneumonia (quem sofre de doenças crónicas como diabetes, asma, DPOC, doença respiratória crónica, doença cardíaca, doença hepática crónica, é doente renal ou portador de VIH ou tem mais de 65 anos), apenas 44,62% tinha sido aconselhado a vacinar-se contra a doença. 55,38%, apesar de ter maior probabilidade de a contrair, não tinha recebido este conselho. Isto apesar de, do total dos inquiridos, 94,3% das pessoas acreditar ter as suas vacinas em dia, e de existir, desde 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (011/2015) que recomenda a vacinação de grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica (DIP).

Dados em sintonia com com os resultados apurados quando foi solicitado que os inquiridos selecionassem as patologias para as quais sabiam haver vacina. A Pneumonia ficou na última posição (66,9%), atrás da Gripe (98,6%), do Tétano (97,3%), do Sarampo (94,7%), da Meningite (91,1%), do HPV (90,3%), daVaricela (84,6%), da Hepatite (82,1%), da Poliomielite (81,4%) e da Raiva (69,3%).

96,5% dos inquiridos considera que a vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida mas, quando questionados sobre que faixas etárias se devem vacinar, apenas 87% selecionou todas as opções: bebés, crianças, adolescentes, jovens adultos, adultos e idosos. Uma percentagem alta mas, ainda assim, com margem para melhorar. A vacinação ao longo da vida é uma das bandeiras do MOVA, que vai continuar a lutar para por a vacinação na equação.

Ficha Técnica :: Nome do Inquérito: MOVA | Perceções sobre Vacinação :: 661 respostas recolhidas entre 25.03.2019 e 16.04.2019 :: Pessoas residentes em Portugal com mais de 18 anos :: fonte primária de contacto | Página de FB MOVAEnim ad minima veniam quis nostrum exercitationem ullam corporis."

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